Morreu Dino Franco. Música caipira perde o seu último grande poeta.

Morreu Dino Franco. Música caipira perde o seu último grande poeta.

Morreu na tarde de hoje o poeta e gênio da música caipira Dino Franco. Não se espantem com o título do post. A meu ver, ele era, sim, o último grande poeta caipira vivo da música caipira. Digo da caipira de fato, feita por gente do mato, que viveu a roça com a terra debaixo das unhas e não a caipira “regional”, que se disfarça de caipira mas que nunca se assume como tal e ainda esbraveja quando é apontada dessa forma.

Ao lado de Teddy Vieira, João Pacífico, Goiá e Zé Fortuna, Dino Franco era um dos cinco maiores poetas da história da música caipira e sertaneja. De todos, era o único que ainda estava vivo. Com a sua morte, fico triste ao imaginar que a música caipira pode ter de fato perdido seu último grande escritor. Corrijam-me nos comentários se quiserem, mas não acho que tenhamos um compositor do gênero caipira nos dias atuais que consiga chegar aos pés de nenhum destes que citei.

E para relembrar e homenagear este grande gênio, aproveito para repostar um texto escrito pela Angell Lima, compositora e cantora de Catalão, que foi publicado aqui no Blognejo em janeiro de 2012 e que reproduz bem o que significa o legado do Dino Franco para a nossa história.

“O Tradutor das Almas – Dino Franco” – Por Angell Lima

Há aqueles que lêem mãos
Aqueles que reparam no brilho dos olhos
Que na fala mansa devolvem a calma
Há quem sabe como prever o tempo
Mas ele… ele é um traduz almas…

Assim começo esse artigo sobre alguém que tem mais de meio século dedicado à música sertaneja. Ouso dizer que é impossível (sim, impossível) algum brasileiro que não tenha cantarolado algum dos versos das milhares de canções deste moço: Osvaldo Franco, ou simplesmente DINO FRANCO.

O sertanejo se reinventa a cada obra lançada no mercado. É comum um mesmo artista ter trabalhos tão distintos que parece surgir sempre um novo nome. Tudo é valido e somado ao livro de histórias musicais que traduz o cotidiano e a cultura de cada época.

Contudo, passa estilo, volta segmento, as canções de Dino Franco têm cadeira cativa nos palcos e rodas de viola. É quase como uma regra inconsciente ter no repertório sertanejo pelo menos uma obra dele. E certamente, a maioria não faz idéia de onde vêm essas músicas.

Entre as temáticas de suas composições, a exaltação do campo, amores e causos completam uma cartela de sensações que provocam todo tipo de emoção. Hoje, na altivez dos teus 75 anos, um olhar perdido no tempo revela o respeito que Dino Franco tem com os sentimentos, tornando-os tangíveis através da música.

A título de informação, Dino Franco é de Paranapanema, São Paulo. Em 1957 foi gravada a primeira obra de autoria dele, por Tonico e Tinoco, chamada Milagrosa Nossa Senhora. Entre tantas outras parcerias, entre elas com Biá e Tabagi, foi com Mouraí que teve sua maior projeção como intérprete em uma união de 28 anos produzindo tantos clássicos que se confunde com o curso do trem da música sertaneja. A dupla gravou 17 discos e se concluiu com a morte de Mouraí em 2007.

Durante anos Dino se dedicou às produções de diversas duplas da gravadora Chantecler. Estima-se que já passam de mil canções gravadas pelos mais diversos artistas. Valsas, guarânias, modas de viola, enfim, o leque melódico é imenso. Há tanto para se dizer que prefiro apenas deixar par ao julgamento sensato de cada um.

Confira uma pequena amostra das composições de Dino Franco interpretadas por cantores de ontem, de hoje e, certa de que amanhã ainda haverá reverências para o poeta do sertão, deixo aqui registrada minha devoção à obra de Dino Franco.

* Amargurado

* Cheiro de Relva

* A Sementinha

* Travessia do Araguaia

* Caboclo na cidade

* Nelore Valente

* Natureza

* Pombinha Mensageira