Na Estrada – As lições que se tira do Curitiba Country Festival

Na Estrada – As lições que se tira do Curitiba Country Festival

No último dia 05, participei, pela terceira vez, de um dos maiores festivais de música sertaneja do Brasil, o Curitiba Country Festival, realizado na sempre fantástica cidade de Curitiba. Nas duas ocasiões anteriores, postei aqui uma cobertura em vídeo e tal. Desta vez resolvi ir à festa apenas como espectador, não só pra evitar a trabalheira que é ficar andando pra lá e pra cá apenas pra poder entregar pra vocês no fim de tudo um vídeo com alguns depoimentos repetidos de figurinhas tarimbadas, mas também pra poder participar mais ativamente de alguns momentos cruciais da festa.

Sobre o festival em si, acho que já é consenso no mercado sertanejo que se trata de um dos ou talvez do festival mais bem organizado do circuito. Diversas áreas, com shows exclusivos em cada uma, são o grande diferencial. Este ano, o evento contou com o palco principal, onde se apresentaram, na ordem, Munhoz & Mariano, Luan Santana, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo e Cristiano Araújo; trio elétrico, com apresentações da Banda Kaduká, artistas da CWB, empresa responsável pelo evento, Cácio & Marcos e Jeann & Julio; área VIP, com shows de George Henrique & Rodrigo e Pedro Paulo & Alex; camarote, com shows de Lu & Robertinho e banda Tentativa (pagode); e o backstage, com shows do Buchecha e da Diana Dias (axé).

Além da variedade de estilos, mais evidente nos palcos do Camarote e do Backstage, o evento se destaca entre outros festivais do gênero por uma série de aspectos, já comentados aqui em outras ocasiões. O primeiro, como dito acima, é a organização. Não há relatos de violência e as reclamações dos frequentadores da festa, que eu saiba, são mínimas. Quem consegue arcar com o valor relativo ao ingresso do backstage ainda tem acesso a um amplo espaço, sem empurra-empurra, com contato praticamente direto com os artistas, além de uma ampla praça de alimentação.

Um outro aspecto é a independência do festival com relação aos grandes escritórios. Este ano, por exemplo, não houve nenhum artista Audiomix ou FS no evento, o que é praticamente impensável em um festival dessa proporção. O CCF é uma parceria da CWB com a World Show, que gerencia a dupla Bruno & Marrone, mas a presença deles na programação não é tratada como obrigatória. E mesmo colocando George Henrique & Rodrigo na programação, isso não é feito de forma forçada, com os caras no palco principal, mesmo o escritório podendo fazer isso se quisesse. O mesmo aconteceu com a banda Kaduká e com a dupla Pedro Paulo & Alex, que têm parceria com a CWB.

Entre os momentos marcantes do festival, o show da dupla Chitãozinho & Xororó foi um dos mais interessantes. Todos os artistas que já haviam se apresentado ou ainda iam se apresentar assistiram ao show no canto do palco, incluindo o Luan Santana, a dupla Munhoz & Mariano, e outros. E foi, claro, o show mais aclamado da noite, com o público cantando todos os hits a plenos pulmões.

Quem também se destacou foi a dupla Pedro Paulo & Alex, que mesmo cantando no palco paralelo montado na área VIP, chegou como grande aposta, pra consolidar o trabalho estilo “rolo compressor” realizado no Paraná nos últimos meses.

E mesmo com um clima mais descontraído de bastidores, pouco comum a festivais, ainda sobrou espaço para alguns momentos de estrelismo, neste caso por parte da Ivete Sangalo. Pra começar, o camarim da estrela tinha o triplo do tamanho dos outros. Enquanto os outros tinham apenas 1 “compartimento”, o dela tinha 3. E mesmo com o acesso ao fundo do palco sendo liberado a todos os convidados durante todo o evento, ele foi bloqueado durante a apresentação dela. Entre os convidados presentes, diversos contratantes que tiveram recentemente grandes perdas com shows da Ivete, o que mostra bem que ela já não está mais com essa bola toda, né? Tais exigências, portanto, não se justificam, principalmente se ninguém mais as fez.

Mais uma vez o Curitiba Country Festival mostra que dá pra fazer um festival com “padrão FIFA”. Tanto que a CWB e a World Show vem fazendo isso ano após ano. Os problemas dos diversos outros festivais realizados ao redor do Brasil dão a impressão que esse tipo de evento é fadado a ser motivo de reclamações dos frequentadores e de dores de cabeça para os organizadores. Mas pelo menos no caso do CCF e das dezenas de milhares de pessoas presentes, a coisa não é bem assim.

Abaixo, algumas fotos do evento.