Na estrada – Luan Santana antecipa o provável melhor disco de 2015 na gravação do seu primeiro DVD acústico

Na estrada – Luan Santana antecipa o provável melhor disco de 2015 na gravação do seu primeiro DVD acústico

“Pô, Marcão, como você fala que um disco já é o melhor de 2015 sendo que o ano nem começou?”. Eu não disse que é, disse que provavelmente será. É que o que foi visto na última quarta-feira, nos estúdios Quanta, em São Paulo, corrobora isso. Foi mais um capítulo da brilhante carreira de um artista que, convenhamos, tem o incrível dom de causar nada menos que admiração. Não à tôa, o Luan Santana tem sido cada vez mais comparado a nomes eternos da música brasileira e mundial. Lulu Santos já o comparou ao Elvis. Outros dizem que em alguns anos é ele quem vai estar fazendo o especial de natal anual da Globo ao invés do Roberto Carlos. É o tipo de artista que faz tudo certo sempre. E assim foi a gravação do seu primeiro DVD acústico, pra variar.

O disco, mais um da parceria entre o Luan e o Dudu Borges, traz alguns hits da carreira do Luan em formato acústico, mas com alguns aspectos mais grandiosos, como uma orquestra sinfônica completa, com cordas e sopros, o que rendeu arranjos mais complexos e interessantes na maioria das músicas já conhecidas da carreira dele. Aliás, sobre essa parceria entre Luan Santana e Dudu Borges, chega a saltar os olhos a diferença que ela fez na musicalidade dele desde que eles começaram a trabalhar juntos. Pode parecer clichê repetir isso todas as vezes, mas o amadurecimento musical é mesmo evidente. E isso parece melhorar a cada disco. O DVD “O nosso tempo é hoje” já mostrava isso e, a julgar pela gravação de quarta, a coisa ainda foi mais além.

O repertório do projeto trouxe muitas supresas interessantes. Além das regravações dos hits mais conhecidos do Luan, a presença de duas músicas chamou a atenção e encerrou um capítulo peculiar da história recente da música sertaneja. Não sei como eles estão hoje em dia, mas não é segredo pra quase ninguém que o Luan Santana se sentiu prejudicado no começo da carreira, quando a dupla João Bosco & Vinícius gravou duas músicas do seu primeiro projeto, e justamente as duas que estavam dando um certo destaque a ele, ainda na fase “Gurizinho”: “Falando Sério” e “Sufoco”. As duas músicas acabaram se tornando dois dos maiores hits da carreira da dupla João Bosco & Vinícius. “Sufoco” inclusive é tida como a música que tirou a música sertaneja da fase universitária e introduziu nela a sonoridade que se vê até hoje. Inclusive havia sido o próprio Dudu Borges o produtor na ocasião. Colocar as duas músicas no repertório deste DVD, no momento em que o Luan é praticamente uma unanimidade, com a carreira absolutamente consolidada, foi uma sacada e tanto e, de certa forma, o golpe de misericórdia do gurizinho. Aliás, a platéia gritou alucinada a palavra “Gurizinho” ao final destas duas canções.

Também chamou a atenção a presença de músicas como “A outra” e “Conto de Fadas”, belíssimas. “A outra” é a mais conhecida canção da dupla Thiago & Graciano e ganhou uma intepretação incrível do Luan, assim como “Conto de Fadas”, que faz parte do repertório da dupla Israel & Rodolffo. Isso sem falar das canções inéditas, todas incríveis.

Mesmo com orquestra sinfônica e tudo, uma das grandes sacadas deste disco, musicalmente falando, foi a presença do baterista da banda do astro internacional John Mayer, que deu um show à parte, trazendo influências até então não utilizadas, pelo menos não de forma tão intensa no gênero sertanejo.

E como se já não fosse o suficiente ter atingido um grau tão superior de qualidade no aspecto musical, o DVD deve surpreender também na parte visual. Com a facilidade de ter sido gravado em um local fechado, o cenário foi desenvolvido de forma dinâmica, com o formato de todo a estrutura sendo modificado a cada canção. As lâmpadas que fizeram parte do cenário estavam todas suspensas por cabos, controlados digitalmente para que elas dançassem de acordo com cada música. Isso mesmo, dançassem.

O começo do DVD trazia a representação de uma fachada de um teatro ao estilo Brodway, o que remetia ao tema da gravação (anos 60, também representados no figurino do público, totalmente a caráter), Depois de algumas músicas, a fachada do teatro sumiu e as lâmpadas que representavam o teto da entrada do tal teatro se moveram para fazer o papel, a partir dali, do conteúdo visual de cada música, tudo isso já como parte do desenho da parte traseira do palco. O teto do estúdio também dançada em cada canção, ora formando uma cúpula, ora formando outros desenhos, algo que poderá ser bem melhor compreendido nas fotos ou quando o DVD for lançado.

Mesmo que seja muito cedo para carimbar esse disco como o melhor de 2015, acho que dificilmente ele deve ser superado. O bom dele ter sido gravado ainda em 2014 é que ele não deve demorar a ser lançado e, por sair nos primeiros meses de 2015, deve ajudar a definir a sonoridade do sertanejo no decorrer do próximo ano. Isso fará dele o trabalho a ser batido no ano que vem. E vai ser de fato muito prazeroso e gratificante ver a galera tentando superar esse disco em termos de qualidade. Sendo esse disco superado ou não em 2015, o ano com certeza vai ser de um nível poucas vezes visto no gênero, disso já dá pra ter certeza.

E assim encerramos nosso ano de coberturas de grandes eventos. A estrada nos aguarda em 2015. Abaixo, algumas fotos do Cadu Fernandes feitas durante a gravação do DVD acústico do Luan Santana.