Na Estrada – Victor & Leo flertam com os representantes da nova música brasileira e equilibram as próprias diferenças em novo DVD

Na Estrada – Victor & Leo flertam com os representantes da nova música brasileira e equilibram as próprias diferenças em novo DVD

Nos últimos dias 28 e 29/01, Victor & Leo gravaram um novo projeto. O DVD “Irmãos” foi gravado nos Estúdios Quanta, em São Paulo, que recebeu recentemente as gravações do mais novo disco do Luan Santana e do DVD “Cabaré”, com Eduardo Costa e Leonardo. De fato, é um dos espaços mais indicados para gravações de médio porte com o máximo de qualidade.

O novo disco ajuda a consolidar um novo momento na carreira de Victor & Leo, iniciado com o último disco, “Viva por mim”, lançado em 2013. Aquele projeto mostrou a dupla com uma nova cara, com o Leo muito mais à frente, assinando a produção do disco, e o Victor mais contido, destacando-se apenas em pouquíssimos arranjos e algumas letras. Se por um lado isso ajudou a mudar um pouco o estilo de Victor & Leo (afinal quantos discos não haviam sido lançados praticamente com a mesma sonoridade antes desse?), talvez isso tenha acontecido de maneira muito abrupta, apesar da dupla continuar entre os mais executados nas rádios e entre os discos mais vendidos, desta vez em nova gravadora.

Pode ser que tenha faltado àquele disco um equilíbrio, afinal a sonoridade de Victor & Leo, ainda que já soasse repetitiva depois de tantos discos, é o que melhor definia e define a identidade da dupla. E nesta gravação deu pra perceber que houve, sim, uma preocupação em buscar esse equilíbrio. O Victor Chaves voltou a ser figura marcante na sonoridade, assinando várias das músicas inéditas gravadas e sendo responsável, novamente, por alguns dos melhores arranjos do disco, como o de um blues sertanejo bastante celebrado no dia.

O sucesso do último projeto, encabeçado pelo Leo, aliado à mudança de estilo visual do mesmo e à adoção de uma atitude mais “roqueira”, que demorou mas acabou sendo aceita pelo público, provavelmente atingiu o objetivo que ele buscava, que era o de mostrar-se tão importante para o projeto da dupla quanto o irmão, que até então praticamente monopolizava as atenções. O título do novo disco e tudo o que se viu na gravação celebram esse equilíbrio alcançado, mostrando que o projeto é de fato feito pelos dois de maneira igual, com boas músicas inéditas, a maioria assinada pelo Victor ou pelo Léo, em parceria com compositores como o Marcelo (da dupla com o João Lucas e responsável por alguns dos sucessos mais recentes de Victor & Leo, como “Na linha do tempo”) e a Paulinha Gonçalves, nome promissor daqui de Uberlândia e que tem emplacado ótimas canções em parceria com ele, incluindo “Colo”, que contou com a participação deles no DVD da dupla Jads & Jadson.

E se o fato do Leo ter tomado mais a frente da dupla desde o último disco ajudou a quebrar um pouco do estigma de “intocáveis” que a dupla carregava, com um pouco mais de abertura a novas parcerias tanto na interpretação (com Jorge & Mateus, por exemplo) quanto nas composições do disco, o DVD “Irmãos” fortalece também esse novo momento de “apadrinhamento”, ainda que indireto, de novos nomes que a dupla parece estar buscando. A participação no disco da dupla Jads & Jadson, por exemplo, já escancarou essa intenção, com Victor & Leo os apresentando em diversos programas de TV de grande importância.

A gravação contou, por exemplo, com a participações de dois nomes novos para o grande mercado: Lucyana e a dupla uberlandense Victor Freitas & Felipe. A Lucyana fez parte da dupla Lucylla & Lucyana e há algum tempo segue carreira solo, passando a contar com apoio de Victor & Leo de alguns meses pra cá. Cantou duas músicas na gravação. Victor Freitas & Felipe, que já apareceram aqui no blog com alguns vídeos em estilo Mashup que tinham soltado há alguns meses, cantaram apenas uma canção com Victor & Leo, mas causaram uma primeira impressão incrível, principalmente nas fidelíssimas fãs de Victor & Leo que acompanhavam a gravação. Cheguei a testemunhar uma delas dizendo a um dos gêmeos, por exemplo, que aquela tinha sido “a melhor participação que ela tinha visto em um DVD de Victor & Leo”. E de fato a música da qual participaram é uma das melhores do disco.

O apoio a novos talentos já tinha sido demonstrado no DVD gravado em Floripa, com a participação da Nice. Mas enquanto no caso da Nice havia uma mística em torno da descoberta de um talento praticamente do zero, que acabou esbarrando na dificuldade em torná-la uma artista mais comercial, desta vez a dupla parece estar focada também no aspecto comercial dos artistas que apoiam. Tanto a Lucyana quanto Victor Freitas & Felipe já podem ser considerados aptos a encarar o competitivo mercado sertanejo com tranquilidade.

É bom ressaltar, claro, que o apoio parte apenas de Victor & Leo e não do Clube do Cowboy, escritório que também é sócio da dupla junto com o escritório Vida Boa. Em se tratando de apoio a novos artistas, o Clube do Cowboy e o Vida Boa trabalham de forma totalmente independente. E desde a época em que Fred & Gustavo faziam parte do primeiro escritório isso já ficava bem claro, o que pode parecer estranho para algumas pessoas, mas que faz todo sentido, ainda mais agora que Victor & Leo estão engajados nessa vibe de reveladores de talentos.

Se a participação deles no DVD da dupla Jads & Jadson já mostrava que a dupla prestava atenção às novidades que vinham surgindo no mercado, desta vez isso ficou escancarado. A participação, neste DVD, da Banda Malta (que cantou uma inédita e uma versão própria de “Borboletas”), do Wesley Safadão e de Henrique & Juliano (na música mais comercial do disco), respectivamente os principais novos representantes do rock, do forró e do sertanejo, mostra que Victor & Leo não só estão cada vez mais atentos ao que o mercado tem trazido de novo como querem “marcar território” ao lado desses artistas, como uma forma de carimbar o sucesso dos caras e vinculá-los ao prestigiado nome que a dupla conquistou com o passar dos anos. Não que Victor & Leo intencionem isso, claro, mas para muita gente vai parecer que eles foram os responsáveis pela descoberta destes talentos. Ora, quantas pessoas não conheceram Jads & Jadson apenas depois que Victor & Leo os apresentaram em alguns programas de TV? Algo parecido, como bem me lembrou o parceiro Edu Francelino durante a gravação, com o que Bruno & Marrone faziam há alguns anos, quando gravaram com nomes como o Tradição, Edson & Hudson, Cláudia Leitte e a banda Calypso, quando estes ainda estavam em vias de se consolidarem nacionalmente.

O único medalhão que participou do disco foi a dupla Milionário & José Rico, que cantou no segundo dia. Como só consegui acompanhar o primeiro dia de gravação, acabei não assistindo à participação deles e nem do Wesley Safadão.

A abertura aos novos profissionais se estendeu inclusive à parte técnica do DVD. Ao invés de recorrerem mais uma vez ao Santiago Ferraz, que dirigiu dois DVDs da dupla, ou à Joana Mazzuchelli, que dirigiu o DVD gravado no ginásio do Ibirapuera, dois nomes com longo histórico na música, eles fecharam com o Catatau, responsável por alguns dos mais bem sucedidos DVDs de novos artistas sertanejos nos últimos anos.

O título e o conceito do projeto, cuja marca é o grande destaque do cenário do DVD, vieram a calhar. Entre as duplas de irmãos, talvez a que melhor demonstre o tipo de relacionamento que esse grau de parentesco gera seja justamente Victor & Leo. Enquanto na grande maioria das duplas de irmãos o que se vê é um deles tomando a frente no decorrer da carreira, Victor & Leo parecem, agora, fazer questão de demonstrar que têm comportamentos e pensamentos diferentes e que discordam muito, como qualquer irmão, e que por isso mesmo funcionam enquanto dupla. A certa altura da gravação, os dois estavam debatendo sobre há quantos anos a dupla era nacionalmente conhecida (7 para o Leo, 9 para o Victor). Mesmo assim, respeitam a indivualidade um do outro, seja quando o Victor entra no palco após uma troca de roupa fumando um charuto, objeto do qual ele é agora adepto fervoroso, ou quando o Leo usa suas roupas inusitadas (a última camiseta usada por ele no DVD tinha os dizeres “Bão, bunito, gotoso, cheroso e humirde”). E é nisso que se baseia um relacionamento entre irmãos, ainda mais quando trabalham juntos: em diferenças e em respeito a elas, para que se atinja o devido equilíbrio. E esse equilibrio o DVD parece ter atingido.

Abaixo, algumas fotos da gravação tiradas pelo Caio Duran e pela Cibele Nascimento.