Nova música de João Carreiro & Capataz não convence

A chegada do “Novo Sertanejo” trouxe, além de muito sucesso para algumas duplas, um grande problema para outras: o que fazer para se diferenciar de um mercado já completamente tomado por músicas e arranjos iguais?

Na busca pela resposta que vale um milhão de reais (ou mais), alguns artistas gastam o que tem e o que não tem. Convidam produtores da atualidade, procuram os melhores compositores e gastam verdadeiras fortunas com divulgação, tudo em busca de um grande sucesso. Mas, muito mais do que isso, é ainda o desejo de encontrar uma identidade própria, para marcar o público e nunca mais ser mais confundido com outros artistas.

Mesmo com todas as dificuldade acima apresentadas, João Carreiro & Capataz vinham fazendo um surpreendente trabalho e sem o apoio da grande mídia. Tudo culpa do grande traço de personalidade que a dupla carrega. Parecido com eles apenas Tião Carreiro, e como ninguém mais nesse país se parece com o mestre violeiro, estava aberto o caminho. Voz grave, modas de viola, músicas boas com letras agradáveis que juntavam o tradicional ao novo, tudo numa mistura interessante, que dava a João Carreiro & Capataz o status de dupla mais promissora desse “novo sertanejo”.

Dava, porque a nova música de trabalho, “Roqueirinha” não convenceu. Claro que não podemos balizar todo o trabalho feito pela dupla  até aqui, e principalmente o novo , que ainda está sendo preparado em cima apenas dessa canção, mas que chega a dar calafrios em pensar no que pode vir por aí, ah! isso dá. Não que a música não seja boa, é sim interessante, mas aquelas viradas aceleradíssimas de bateria que aparecem na música inteira, me deixam com a sensação de que ela é tudo, menos sertanejo. Definitivamente João Carreiro & Capataz não precisavam disso.

Pode ser implicância minha, que também não achei legal a “Fugidinha”, mas é que em partes estamos acostumados com o sertanejo misturado apenas com a vanera e forró. Quando aparece uma outra mistura, olhamos com desconfiança. Na verdade acho mesmo é que estou é ficando velho para algumas coisas (e olha que ouvi a “Roqueirinha” umas 20 vezes antes de comentar).

Ainda vai demorar para me acostumar,  mas se a Revista Veja já reclamava das guitarras estridentes do “Sertanejo Universitário”, imaginem quando ouvirem a nova música de João Carreiro & Capataz?

Não ouviu, então ouça abaixo e tire suas próprias conclusões: