O blog do Tinoco

Poucas pessoas sabem, mas o maior cantor caipira ainda vivo, Tinoco, manteve um blog por aproximadamente quatro meses em 2010. Era um espaço onde escrevia histórias de sua carreira e de seu irmão, Tonico. Por causa da idade é bem provável que outra pessoa digitasse, mas com as impressões ali deixadas é possivel perceber que era algo feito com a assinatura do cantor.

Entre as histórias contadas dos mais de 90 anos de carreira, Tinoco conta como surgiram algumas canções, fala de viagens que faziam pelo interior do Brasil e de suas aventuras amorosas dos tempos em que ainda eram moços.  O cantor relata também a sua expectativa com a gravação do DVD “Emoções Sertanejas”, ao lado do rei Roberto Carlos, feito no início do ano, entre muitos outros causos e lembranças.  Segue abaixo uma interessante história dessa lenda viva da música caipira, extraída de seu blog.

A HISTÓRIA DA MÚSICA CABOCLA

Muitas de nossas “modas”, nós vivemos lá na roça. Foi assim que fizemos a “Cana Verde”, “Sereno da Madrugada”, “Morte da Caboclinha”, “Eu e a Lua”, “Pé de Ipê” entre tantas outras. Mas hoje vou contar a história da música “Cabocla” que também fizemos lá na colônia.

O Tonico apaixonou-se por uma moça chamada Zulmira, que era filha do administrador da Fazenda. Mas o namoro naquela época era diferente de hoje, era mais um namoro de “olhá” e pouco “prozeá”, quando pegava na mão, era pra ficar noivo. Apesar da diferença social entre o casal, parecia que o namoro ia bem. Num sábado teve um baile e o Tonico e a Zulmira combinaram de se encontrar, o Tonico achando que tava “firme” no namoro, resolveu chegar mais tarde do que o combinado. Quando entrou no salão, procurando pela moça, logo viu sua namorada dançando com um pedreiro de São Manuel.

O Tonico abaixou a cabeça e saiu desolado do baile. Foi para casa e começou a escrever a primeira linha que dizia assim: “Cabocla como é triste meu viver, sem esquecer um só momento teu amor”¦”

Ele ficou muito ruim, muito abalado, deu um trabalhão pra mãe e pro pai, o bicho enxergava até “vaca” dentro do quarto.  Chorava dia e noite por causa daquela moça. Pouco tempo depois, Zulmira acabou casando-se com o pedreiro que conheceu no baile. Enfim, Tonico sobreviveu e a música “Cabocla” tornou-se um dos nossos grandes sucessos.

Em outra ocasião, outra aventura amorosa de Tonico: pouco tempo depois de mudarmos para São Paulo e começarmos a fazer sucesso com um programa na Rádio Difusora, apareceu por lá um dia uma dupla chamada “Rosalinda & Florisbela”, formada pelas irmãs Estela e Hebe Camargo. Tonico caiu de amores por Estela, mas cadê a coragem de falar com a moça? Pediu ao nosso pandeirista, Zé Pretinho que entregasse seus bilhetes à amada. Em troca o amigo ganharia almoços, todos os domingos, num restaurante perto da rádio. As respostas nunca vinham e, meses depois, a moça ficou noiva.

Tonico foi pedir explicações ao amigo e disse que estava muito aborrecido com aquilo, afinal, os bilhetes foram entregues ou não? Mais do que depressa o Zé se defendeu, dizendo que sim e que estava mais aborrecido ainda, pois perdeu seu almoço dos domingos.

Há ainda outros “causos” no blog do Tonico, para acessá-lo é só clicar AQUI. Infelizmente, em junho ele parou de fazer postagens, mas alguns de seus registros estão lá até hoje, para alegria daqueles que curtem uma boa história sobre as raízes da nossa música sertaneja.