Ouvimos em primeira mão o novo disco de Edson & Hudson. Confiram as primeiras impressões e um bate-papo exclusivo em vídeo.

Esta semana, estive em São Paulo para atender a um convite irrecusável: ouvir com exclusividade o novo CD da dupla Edson & Hudson. Por se tratar de uma das duplas que mais ajudou a moldar a minha paixão por música sertaneja e que mais me inspiraram musicalmente, a tarefa já é deveras honrosa. Mas a ocasião carrega uma importância ainda maior. Trata-se do primeiro CD lançado após a total recuperação do Hudson, já que o disco anterior havia sido produzido enquanto ele ainda estava em reabilitação. Abaixo, algumas impressões sobre o novo disco e logo em seguida um bate-papo exclusivo com a dupla sobre o projeto, em vídeo.

Desde que a dupla voltou, é provável que este seja o disco mais ambicioso. A meta é claramente reposicionar a dupla no mercado para que eles ocupem o mesmo espaço que ocupavam anos atrás, antes do anúncio da separação. Tanto que, agora, eles lançam um grande trabalho novamente através de uma grande gravadora, no caso a Universal, e com o respaldo de um grande escritório, a Live Talentos. Até então, a dupla vinha administrando a própria carreira.

O novo disco, que leva o nome da faixa “Escândalo de Amor”, rancheira incrível que vem sendo trabalhada nas rádios, traz a dupla para uma atmosfera mais contemporânea. Mesmo que a música de rabalho seja num formato clássico e que o disco contenha diversos elementos que fazem parte da essência da dupla, como o romantismo e a interpretação sempre marcante, a sonoridade é mais voltada para elementos atuais.

Boa parte das músicas é assinada por compositores da nova geração, como Paula Mattos, Gabriel Agra, Frederico (da dupla com o João Neto), entre outros. Há uma forte presença de bachatas e de músicas que mesclam o início romântico com uma virada para vaneira no decorrer da canção, outra característica forte da fase universitária, principalmente nos últimos 5 anos. Ainda assim, há um espaço para ousadia de alto nível, como no arranjo da música “Mil Livros”, uma das mais fortes do projeto.

A guitarra do Hudson ainda tem uma presença marcante no disco, mas desta vez ela não ocupou tanto espaço quanto nos trabalho mais antigos da dupla. A predominância nos arranjos, desta vez, é de um som mais acústico. Das 12 faixas do disco, que ganhará no fim do ano uma faixa extra, as que mais se destacam, a meu ver, são “Contagem Regressiva”, “Escândalo de Amor”, “Vai ser gostoso”, “Prefiro a saudade” e “Oh Judiação!”, principalmente por serem as que mais trazem a melhor característica da dupla, que é a interpretação sempre fantástica. O Edson segue sendo sempre um dos melhores.

“Vai ser gostoso” provavelmente sai ainda mais na frente por ter uma letra ousada, com uma pitada de “erotismo” que pode fazer com que ela pegue mais facilmente junto ao público. “Prefiro a saudade” tem um dos melhores duetos do disco no refrão. “Contagem Regressiva” traz de volta, como eu mesmo já disse há algumas semanas, uma das mais marcantes parcerias da música sertaneja, com a dupla dividindo os vocais com Bruno & Marrone pela terceira vez. É sempre incrível ver o Edson e o Bruno duelando com as melhores armas que possuem, as vozes.

Há, claro, outras curiosidades interessantes sobre esse disco. Ele traz a primeira música composta pelo Edson em parceria com o filho Vitor, hoje com 14 anos, “Entre Milhões”. Além do Frederico, outros nomes conhecidos como João Neto, Mariano, Maraísa, entre outros, assinam faixas do disco. João Neto & Frederico participam também cantando uma das faixas, “Viciado em Você”. Gusttavo Lima fecha o trio de participações com a música “Tem que ter paixão”. E mesmo sendo as versões uma das características mais marcantes da carreira da dupla Edson & Hudson, o novo disco traz apenas uma versão: “Sou o mesmo”, originalmente uma música do Prince Royce. Nela, inclusive, o som é o da mais pura bachata latina.

Em breve trago um review mais detalhado sobre este disco. Abaixo, uma conversa exclusiva com a dupla sobre o mesmo. Desta vez focamos a conversa apenas no disco novo. Ou pelo menos tentamos. Confiram.