Pinochio, o Midas da Música Sertaneja

Até uns seis anos atrás, o universo da produção musical na música sertaneja era dominado por um cara chamado César Augusto. Ele produzia praticamente todos os discos sertanejos de sucesso na época, além de ter um zilhão de composições gravadas pelos mais diversos artistas. Muitas de sucesso, seja com seu antigo parceiro, o falecido César Rossini, ou o mais recente, o Piska. O mundo da música, no entanto, como todos sabem, está constantemente em mutação. Fez-se necessário, portanto, uma mudança no cenário sertanejo, que praticamante se manteve inerte durante dez anos, sendo alimentado unicamente pelos “AMIGOS”. Alguns produtores, ainda que não alcançassem o mesmo nível de sucesso de César Augusto, vinham se destacando num mercado que, geralmente, não aceitava novidades mirabolantes. E, estranhamente, o produtor que mais se destacou foi o que mais implantou coisas novas no estilo sertanejo. Seu nome: Juvenil José, ou Pinóchio.

Pinóchio já está na música sertaneja há pelo menos 30 anos, tendo iniciado a carreira tocando acordeon para duplas consagradas como Tonico & Tinoco e Matogrosso & Mathias. Uma das primeiras produções musicais que assinou foi um disco das Irmãs Barbosa, e, de lá pra cá, ele não parou mais.

Como se não bastasse ele fazer a produção, muitas vezes ele ajudava a criar estilos que funcionavam como “alternativas” à mesmice da música sertaneja. Foi ele que criou, por exemplo, o estilo “Gian e Giovane” de cantar, com a voz grave em evidência, em total oposição à “agudice”de praticamente todas as duplas da época. Foi ele, também, que ajudou a “modificar” a dupla Rionegro e Solimões, que passou a contar com músicas mais agitadas, que caíram nas graças do público. As músicas “Peão Apaixonado” e “De São Paulo a Belém”, dois dos maiores sucessos da época de auge da dupla, além de terem sido produzidas pelo Pinóchio, são composições dele.

E, diferentemente do César Augusto, Pinóchio tem mostrado que sabe se modernizar. Vendo que o gosto do público se modifica a cada ano, ele tem inovado a cada trabalho e suas produções invariavelmente acabam caindo nas graças do povo. Que o digam César Menotti e Fabiano, que podem tranqüilamente dizer que ter contado com a produção do Pinóchio em seu DVD foi um divisor de águas na carreira da dupla. O sucesso da dupla se deve unicamente à capacidade do Pinochio de agradar em cheio o público. O ano de 2008 promete manter em evidência o trabalho do Pinochio. É ele quem assina a produção do DVD da dupla Jorge e Mateus, que, aposto, vai ser o trabalho mais executado no ano que vem em todo o Brasil.

O que o Pinóchio tem de diferente dos outros produtores? Ora, ele soube enxergar que o povo gosta de coisas simples. Observando seus trabalhos como produtor, é fácil notar que não existem muitas parafernálias, isto é, quase tudo é natural. Poucas vezes ele utiliza tranqueiras eletrônicas que acabam quase sempre por sujar a música ao invés de torna-la agradável aos ouvidos. Talvez por ele ser da velha guarda da música sertaneja, ele prefere manter a tradição dos instrumentos acústicos, ao invés de enfiar efeitos sonoros até onde não se deve.

Há mais de 20 anos, desde que se tornou produtor musical, o Pinochio tem ditado tendências que muita gente tentou copiar. O mais estranho é que nem ele próprio se copia. Em cada trabalho, ele mostra que há espaço para inovação. E praticamente todos fazem sucesso, o que demonstra que o povo gosta de simplicidade e inovação. Acho então que a regra para as produções musicais do segmento sertanejo deveria passar a ser essa: “copie o Pinochio, não copie ninguém”. Quem sabe quantas coisas novas apareceriam por aí? Não pode ser pior que fazer tudo igual como muita gente ainda teima em continuar fazendo.