Produtor Musical e Artista: é possível se dar bem nas duas carreiras?

Produtor Musical e Artista: é possível se dar bem nas duas carreiras?

Para ser produtor musical, é óbvio que a pessoa tem que entender de música, dããã. É comum, inclusive, que um produtor musical se arrisque a encarar uma carreira musical como líder de uma banda ou até intérprete, bem como um intérprete ou líder de uma banda encarar uma carreira de produtor musical. Não estou me referindo, claro, aos músicos profissionais, aqueles que acompanham os artistas, já que no mínimo 80% dos músicos de hoje em dia são produtores musicais também.

Esse assunto me veio à tona nos últimos dias, assim que eu soube que um produtor estava encerrando mais um projeto, enquanto outros produtores estavam se unindo para dar início a outro. A história da música sertaneja tem exemplos de casos que deram e de casos que não deram certo. Por isso, é meio complicado responder à pergunta feita no título desta postagem de forma definitiva. Vejamos alguns exemplos.

Aquele que é tido por muitos como o maior produtor sertanejo de todos os tempos, Cesar Augusto, já tentou emplacar no mínimo dois projetos como intérprete. O primeiro deles, a dupla Cesar & Cesar, chegou a fazer um certo burburinho no início dos anos 90, mas nada comparado aos grandes artistas da época, com os quais o Cesar Augusto se consagrou como produtor musical.

cesar e cesar

A dupla era formada pelo Cesar Augusto e um de seus mais saudosos parceiros de composição, Cesar Rossini. Os dois juntos foram responsáveis por canções como “Não olhe assim”, da dupla Leandro & Leonardo, só pra vocês sentirem a responsa. O projeto acabou não emplacando por muito tempo e a dupla lançou apenas alguns poucos discos. Anos mais tarde, o Cesar Augusto tentou emplacar outro projeto, a banda BR100, mas mesmo com uma parceria com a gravadora Universal a banda não chegou nem a fazer barulho na mídia. Fez apenas algumas pouquíssimas aparições em programas de TV e só. Vejam abaixo um vídeo da banda:

Como eu disse lá no começo, é comum também ver artistas pegando o caminho da produção. Não estou falando aqui de artistas que produzem os próprios discos apenas, porque essa lista é enorme, mas sim de artistas que produzem não só os próprios discos como também o de outros artistas. Nesse ponto, temos mais exemplos positivos, de artistas que conseguiram emplacar nas duas carreiras, do que negativos.

O Rick, por exemplo, sempre produziu os próprios discos (Rick & Renner) e ainda emplacou projetos de artistas como a dupla Gino & Geno e o cantor Daniel, obtendo êxito em ambas. O Fernando, da dupla com o Sorocaba, foi responsável pelos recentes projetos da sua dupla e pelo discos mais recente do Luan Santana, pelo DVD da dupla Thaeme & Thiago e pelo novo disco dos medalhões Chitãozinho & Xororó, vejam só. E tanto o Rick quanto o Fernando conseguiram conciliar suas duas carreiras de forma que nenhuma das duas degringolasse.

Mas existem exemplos de artistas que embarcaram no ramo da produção e acabaram vendo a carreira de intérprete se perder. O caso mais evidente é do produtor Giuliano Matheus. Depois de 18 anos de parceria com o Luiz Cláudio numa das melhores duplas da história sertaneja recente, cujos discos eram quase todos assinados por ele, o Giuliano já tentou emplacar 3 projetos, pelo menos: o Shakundun e as duplas Daniela & Giuliano e Giuliano Matheus & Rodrigo. Nos três casos, apenas um single chegou a ser lançado em cada um, além de um puta clipe do projeto Shakundun, mas nenhum dos três projetos foi levado adiante. O projeto mais recente, uma dupla com o cantor Rodrigo Arantes, que teve um single lançado e tocado até no BBB13, acabou apenas há alguns dias atrás e o Rodrigo Arantes já prepara a retomada de seu projeto solo.

Em contrapartida, como produtor o Giuliano está indo de vento em popa. Emplacou recentemente um projeto de sucesso com o Trio Bravana e a música “Mãe, tô na balada”, de autoria dele. Depois, compôs e produziu as músicas “I Love You”, da dupla Marcos & Belutti, e “Monalisa”, com Guilherme & Santiago. Acabou fechando com esta última dupla a co-produção do novo projeto, onde, segundo consta, ele ficará responsável pela parte romântica do disco.

A novidade mais recente dessa junção entre “artista” e “produtor”, que vai ser tema de uma postagem mais completa muito em breve aqui no Blognejo, é uma banda de Pop Rock recém formada. O nome não poderia ser mais propício: Los Produtores. Entre os integrantes, tirando o vocalista e o baixista, apenas profissionais renomados da produção musical no gênero sertanejo: Orlando Baron, respeitadíssimo produtor e arranjador do sertanejo a partir de sua fase “universitária”; Diego de Souza, um dos mais promissores produtores da nova safra; Everson Félix, que assinou os primeiros projetos da dupla Fernando & Sorocaba; e Marquinhos Garcia, filho do cantor Predileto, da dupla Preferido & Predileto, falecido recentemente.

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Como se não bastasse, a banda ainda tem como integrantes o baixista Alysson Kallil, dono e diretor de uma das principais rádios sertanejas do interior do Brasil, a Graúna FM, e empresário da dupla Evandro & Agnaldo, e o vocalista Ivo Pessoa, que além de ter uma baita de uma voz emplacou hits em diversas novelas da Globo depois de sua passagem pelo programa Fama. Aliás, a banda já começa emplacando novidades grandiosas, que eu só vou revelar numa próxima postagem. O que já demonstra que o projeto é, sim, ambicioso e com grande potencial.

Como eu disse lá em cima, é complicado constatar de forma definitiva se um produtor pode dar certo como artista ou se um artista pode dar certo como produtor ou se tudo isso é apenas uma doce ilusão. Em ambos os casos há exemplos positivos e negativos. Eu só citei alguns mais claros no texto, mas a lista é grande. Eu sou da opinião de que um produtor musical pode, sim, tentar emplacar um projeto e, aliás, ele tem muito mais chances de dar certo do que um leigo, afinal de contas entende muito mais de música. Se não dá certo, não é porque o cara é produtor, mas sim por uma falha no planejamento apenas. Fora que, muitas vezes, o cara ganha tanto dinheiro como produtor que acaba deixando esse sonho de emplacar como artista de lado. Ou prefere se dedicar ao seu estúdio, ficar em casa com a família, a pegar a estrada 5 dias por semana ou mais, arriscando a vida e não aproveitando as outras boas coisas que a vida oferece além da possibilidade incerta do sucesso.