REVIEW – Creone, Parrerito e Xonadão – O Trio do Brasil – 40 Anos

REVIEW – Creone, Parrerito e Xonadão – O Trio do Brasil – 40 Anos

E agora? Como falar do Trio Parada Dura sem falar do Trio Parada Dura? Uma briga judicial recente envolvendo o Mangabinha, detentor da marca “Trio Parada Dura”, e seus antigos companheiros de grupo Creone e Parrerito atrasou em alguns meses a entrega deste projeto, que teve que ser praticamente reeditado, vejam só. No fim das contas, um acordo entre as partes fez com que Creone, Parrerito e Xonadão, que já foram “Os Parada Dura” e depois usaram por um tempo o nome original, que o Mangabinha também continuou usando (“Trio Parada Dura”), passassem a usar o nome “Trio do Brasil”. Acontece que, mesmo o nome sendo diferente, todo mundo sabe que se trata do Trio Parada Dura. Afinal de contas, o principal elemento da banda permanece intacto: o repertório. E esse obviamente é o grande trunfo deste DVD.

Concebido pela Talismã, este novo projeto traz o trio em sua mais recente formação. Dos membros originais, restou apenas o Creone. O Parrerito, entretanto, já está no projeto há décadas, desde a saída do Barrerito, o que lhe garante também o posto de membro original. De recente mesmo apenas o Xonadão, que já está com eles há algum tempo. O projeto celebra os 40 anos de fundação do principal trio da história da música sertaneja, que influenciou gerações inteiras do segmento, mesmo nunca tendo recebido a devida atenção da mídia. A diferença, entretanto, é que além de uma série de grandes participações especiais, o disco traz uma grande produção, tanto visual (do Anselmo Troncoso, que teve trabalho duplo, já que depois do DVD pronto reeditou tudo para eliminar possíveis referências ao “Parada Dura”) quanto musical (do César Augusto) e a maior quantidade possível de hits do trio distribuídos quase todos em formato pot-pourri, para que coubesse tudo num DVD só.

Essa, aliás, foi a grande sacada do projeto. No fim das contas, são 30 músicas distribuídas em 18 faixas, o que eliminou uma possível dificuldade de escolher o repertório e acabar deixando um ou outro clássico de fora. E o pior é que mesmo assim ficaram algumas coisas importantes de fora, como “Inferno da Vida”, “Boi Tufão” e algumas outras. Mas nada que tirasse o brilho do projeto.

Gravado no Atlanta Music Hall, em Goiânia, o DVD trouxe as participações de Leonardo, Eduardo Costa, Cristiano Araújo, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Adair Cardoso e Di Paullo & Paulino. E ainda trouxe depoimentos e uma participação gravada na música “Telefone Mudo” de Zezé di Camargo & Luciano, Daniel, Victor & Leo, Chitãozinho & Xororó, João Neto & Frederico, Luan Santana, Michel Teló e Jorge & Mateus. O disco ainda traz depoimentos de Fernando & Sorocaba, Amado Batista, Tiaguinho e um texto lido por Lima Duarte.

Ufa. Só pela quantidade de nomes de uma forma ou de outra presentes no projeto já se tem noção do tamanho da importância desse trio na história da música sertaneja. Tal importância foi celebrada também na parte harmônica, com a presença de cordas em boa parte das músicas, o que deu um ar ainda mais requintado ao disco.

Outro aspecto interessante de se observar ao assistir o DVD: o público canta ABSOLUTAMENTE TUDO. “Ah, Marcão, mas isso aí grava em estúdio“. Em alguns casos sim, amigos, mas de forma tão realista e sincera como a que se vê neste disco, eu duvido. É o público mesmo, cantando o DVD de cabo a rabo. Só os arranjos, alguns dos mais marcantes da história do sertanejo (um mérito do Mangabinha que não dá pra tirar), já fazem a galera ir ao delírio. Quando toca “Telefone Mudo”, “As andorinhas”, “Barco de Papel”, “Luz da Minha vida”, “Último Adeus” e “Blusa Vermelha”, são poucos os que não sacam de que música se trata logo no arranjo inicial.

O DVD traz fases e momentos bem distintos do Trio Parada Dura devidamente distribuídos em faixas de acordo com a semelhança na harmonia. Os xotes são relembrados com “Parada Dura” e “Passa lá”. Os batidões (ou vaneiras), são celebrados em “Bicho bom é Mulher” e “O doutor e a empregada”, com a participação do Cristiano Araújo. Os boleros são homenageados com “Herói da Madrugada” e “Me mata de uma vez”, com Eduardo Costa. As letras doídas de “Barco de Papel” e “Homem de Pedra” são relembradas com a participação de Di Paullo e Paulino. Adair Cardoso participa em “Fui um Bobo” e “As andorinhas” e Bruno & Marrone e Leonardo celebram as grandes guarânias do trio. Os primeiros cantam “Luz da Minha Vida” e “Último Adeus” e o Leonardo canta “Cordão de Ouro” e “Cruz Pesada”.

Sensacional também a homenagem ao Barrerito, através de canções que ele lançou já como cantor solo. “Onde estão meus passos” e “Morto por dentro” são canções que representam muito bem a tristeza que tomou conta do Barrerito depois que ele perdeu os movimentos das pernas em um acidente de avião. Não só foi incrivelmente justa a homenagem como também muito digna.

É um DVD para quem é fã de verdade de música sertaneja. Não só para os fãs da modinha, mas para os que gostam MESMO, sem frescura. Todas as modas são de arrepiar. Uma homenagem fantástica aos 40 anos de um trio que ajudou a fazer da música sertaneja o que ela é hoje. Pena que tem toda essa história do nome e tudo mais. Mesmo assim, deixando esses contratempos judiciais de lado, é o Trio Parada Dura em sua essência. Mesmo que o nome agora seja “Trio do Brasil”. Mas se pararmos pra pensar, esse nome é ainda mais propício. Afinal, é isso que o trio é: Brasil.

Nota: 10