REVIEW – Duduca & Dalvan – Os Leões da Música Sertaneja

É sempre bom ver alguma dupla das antigas voltando. Duduca & Dalvan foram uma das duplas responsáveis pela modernização da música sertaneja, pra quem não sabe. Com a carreira impulsionada por sucessos como “Dama de Vermelho”, “Rastros na Areira”, “Meus Pedaços”, “Espinheira”, entre outros, a dupla acabou extinta depois da morte do Duduca. Dalvan ainda gravou vários discos em carreira solo, alcançando sim algum sucesso.

Mas de alguns anos pra cá aparentemente o nome Duduca & Dalvan tinha ficado completamente esquecido. Dalvan se converteu e, como muitos outros cantores que decidem seguir esse caminho (o que prefiro não comentar), abandonou a música sertaneja para se dedicar ao gospel. Mas a paixão pela música sertaneja sempre continuou. Chegou a gravar um disco com outro grande cantor solo da música sertaneja, o Donizetti. Não vingou.

No entanto, a sombra da dupla Duduca & Dalvan sempre pairou no ar. Com tanta gente ressurgindo, por que Duduca & Dalvan não voltavam? O Dalvan então tomou uma sábia decisão e arrumou um novo parceiro. A dupla Duduca & Dalvan estava de volta. Gravaram um disco e um DVD (que ainda não saiu), sem muito sucesso. Agora, novamente, lançam mais um trabalho com a tentativa de renascer no mercado.

Profissionalmente falando, creio que essa seja a tentativa mais sólida. O novo disco foi bem mixado, com uma boa condução dos intrumentos e tudo mais. A voz do Dalvan continua com a mesma peculiaridade que sempre foi sua marca. Mesmo assim, creio que o disco ficou devendo em questão de repertório.

Vejam bem: quando artistas das antigas tentam um retorno, muitos têm a tendência de inserir nos novos discos vááááááárias músicas da época em que gozavam de algum sucesso. Assim o fazem, sempre, Renê & Ronaldo, Alan & Aladin e vários outros. Com Duduca & Dalvan não é diferente. Esse já é o segundo disco desde que a dupla ressurgiu e, novamente, metade do disco está preenchida com regravações dos próprios sucessos, como “Dama de Vermelho”, “Meus Pedaços”, “Espinheira”, “Rastros na Areia” e outras. As músicas são maravilhosas, sem sombra de dúvida, mas se a intenção é voltar às paradas, o melhor a fazer é renovar o repertório. Essas canções podem muito bem ficar para um DVD, ou somente para os shows. Além dessas regravações, várias outras como “Telefone Mudo”, “Blusa Vermelha”, “Saudade da Minha Terra”, “Boite Azul”.

Parece estranho o que vou dizer, mas percebam que, atualmente, regravações conduzidas dessa forma são para as duplas novas, do segmento universitário, e ainda assim não é muito aconselhável. Os artistas e as duplas antigas cada vez mais estão sendo inseridas numa nova vertente sertaneja: o sertanejo “cult”. E somente quem percebe isso e aceita o fardo é que está se dando bem. É só ver os dois mais belos discos do ano passado, o de Chitãozinho & Xororó e o de Roberta Miranda. Mesmo com discos de regravações, tanto o Chitão e o Xororó quanto a Roberta abraçaram esse formato “cult” e fizeram trabalhos históricos e invejáveis.

Mesmo assim, o novo disco de Duduca & Dalvan não chega a ser ruim. A voz do Dalvan é algo raro de se ouvir e, por isso mesmo, o timbre é muito agradável. Algumas das canções inéditas até que conseguem segurar bem as pontas. Talvez seja bom, então, esperar o DVD pra tirar novas conclusões.

Nota: 7,0