REVIEW – Jads & Jadson – Ao Vivo

REVIEW – Jads & Jadson – Ao Vivo

Nunca é tarde demais. Talvez essa seja a frase que melhor resume esse novo projeto da dupla Jads & Jadson. Uma dupla que já tinha um respaldo enorme do mercado, principalmente nos estados onde eram mais atuantes, com uma carreira já suficientemente longeva, mas que ainda não haviam conquistado o reconhecimento nacional. Faltava alguma coisa? Ninguém sabe. O fato é que o novo disco trouxe esse elemento que ninguém sabia se realmente faltava ou não e deu à dupla Jads & Jadson o devido respaldo para ampliar seu já respeitado trabalho para regiões que antes eles não alcançavam. Quem assistiu à entrevista que eu gravei recentemente com a dupla já vai sacar muita coisa que vou comentar aqui neste texto. Quem não assistiu, fica a dica. Ficou bem bacana.

Trata-se, antes de mais nada, de um disco incrivelmente linear. Dá pra ouvir do começo ao fim sem pular faixa. Coisa que pouquíssimos artistas têm conseguido ultimamente. E mesmo a dupla sendo conhecida pelo repertório mais tradicional, desta vez ousaram em modernizar, mas sem as fórmulas fáceis que o mercado nos tem apresentado. Ao invés de partirem pra modinha, eles modernizaram o próprio som de uma forma altamente respeitosa tanto para o legado deles quanto para o público.

O DVD foi gravado na Wood’s de Maringá. É o primeiro disco desde que a dupla fechou parceria com o escritório Brothers, dos irmãos Teló. Apesar do escritório ser comandado por um artista que tem sido um dos mais criticados pela ala conservadora do sertanejo desde que sua música explodiu mundialmente, as decisões relacionadas a Jads & Jadson têm priorizado a manutenção do estilo da dupla, ainda que, como eu disse acima, o som deles tenha se modernizado um pouco. Ao invés de levar a dupla para o modismo, mantiveram intacta a personalidade dos caras, o que por si só já é altamemente louvável.

A presença maciça da guitarra steel na sonoridade deste DVD é algo que agrada muito. Enquanto ela segue sendo pouco a pouco esquecida por alguns artistas, ela veio que veio neste DVD. A junção do timbre da steel com a guitarra comum deixam o som ainda mais empolgante.

Uma coisa bacana sobre Jads & Jadson é a regravação sempre que possível, mas em versões bem próprias, de músicas que fizeram sucesso junto ao público teen de diferentes gerações. Só neste DVD é possível citar “Ando falando sozinho”, do Polegar, “Com todos menos comigo”, do Dominó, “O amor não deixa”, da Wanessa Camargo, “Na sua estante”, da Pitty e a atual de trabalho da dupla, “Planos Impossíveis”, da Manu Gavassi. Ao invés de soarem piegas, as músicas ganham toda uma personalidade quando interpretadas por Jads & Jadson. Não à toa, são algumas das melhores músicas do disco.

Somado ao alto nível de qualidade da parte musical do disco, praticamente no mesmo patamar está a direção visual. Todo filmado com textura de videoclipe, o DVD tem uma qualidade excepcional de vídeo. A direção é do Junior Jacques. O cenário, inclusive, é talvez um dos mais simples dos últimos tempos. Mesmo assim é de extremo bom gosto. São apenas violões pendurados, como numa loja de instrumentos musicais. Mas o resultado ficou tão bacana que praticamente nem percebemos o quão simples foi a ideia.

Apenas duas duplas participaram do DVD: Israel & Rodolffo e Fred & Gustavo. É a última oportunidade, aliás, de conferir a antiga formação de Fred e Gustavo em vídeo.

Sobre o repertório, fora as regravações de sucessos teen, o disco é muitíssimo bem equilibrado entre canções românticas na linha “bruta”, como “Casa Caída”, “Coração Idiota”, “Cara na Porta” e vaneiras de bom gosto como o megahit “Jeito Carinhoso” e as ótimas “Overdose de Amor”, “Do caipira ao universitário” e “Vem pra Campo Grande”.

A viola também é um elemento bem marcante do disco. No show em si, talvez a mensagem mais impactante seja o primeiro verso da música “Do caipira ao universitário”, que diz: “Tá vendo esse som aqui, foi aí que tudo começou, moda de viola caipira e o cateretê“. Mensagem que serve tanto para o público que escuta a dupla, pra mostrar de onde é que eles vieram, quanto para eles próprios, para não deixar que eles esqueçam suas origens.

A presença nos extras de 10 modas interpretadas só pelos dois em viola e violão talvez seja também uma forma dos dois continuarem lembrando a si mesmos o lugar de onde vieram e o seu papel na atual conjuntura sertaneja: passar a ideia de modernidade mas sem nunca deixar de lado a tradição, a origem, o começo. Que os outros artistas aprendam também essa lição.

Nota: 10