REVIEW – Lucas Lucco – O Destino

REVIEW – Lucas Lucco – O Destino

2014 foi um ano altamente positivo para o Lucas Lucco. Além de ter tornado sua imagem uma das mais frequentes na TV e na mídia entre os cantores do gênero sertanejo, o videoclipe da música “Mozão” foi o mais visto do ano no Youtube. Mas o grande debate em torno dele continua sendo o eterno “é ou não é sertanejo”, discussão típica que acompanha 10 entre 10 artistas que costumam utilizar influências diferentes das convencionais. Este novo trabalho, “O Destino”, gravado ao vivo em Patrocínio, sua cidade natal, mantém aceso esse debate ao mostrar o Lucas com uma musicalidade mais pop, seguindo uma tendência já mostrada no seu último CD.

Bem, é consenso que a música sertaneja sobrevive há tantos anos e sempre em alta justamente por absorver influências dos mais variados gêneros possíveis. Então chega a ser meio revoltante, pelo menos pra mim, ainda escutar frases como “mas isso não é sertanejo” qundo alguém simplesmente acha que um determinado cantor não atende ao “padrão” ou ao “convencional”. Lucas Lucco é um dos cantores atuais que mais passa por esse tipo de cobrança. A comparação com o Ricky Martin, então, só faz com que esse tipo de cobrança seja mais frequente.

Este lado pop é bem explorado neste disco, em músicas como “Toda Toda”, “Beijar à queima-roupa” (com a participação da Anitta e já presente no último disco), “Não pode parar” (abertura do disco), “Princesinha” (na versão com a participação do Maluma, cantor colombiano, no que parece ter sido uma ação da Sony) e outras. Até em “Comigo é assim, lapada lapada”, o arranjo eletrônico remete muito mais ao pop do que propriamente ao sertanejo.

Além dessa característica pop eletrônica, o Lucas Lucco também passeia muito bem pelo pop romântico, num dos aspectos mais positivos de sua identidade musical. No comecinho da carreira, ele ficou marcado pelo estilo mais caliente, com músicas como “Pac Man”, “Nem te conto”, “Plano B” e “Princesinha”, mas “Só pra te fazer lembrar” já mostrava uma tendência para o romantismo. Desde então, ele tem se voltado mais para esse lado, focando em músicas com um apelo emocional mais forte, como “Mozão”, que ele soube deixar ainda mais emocionante com um dos mais elogiados clipes do ano. Este DVD também traz muito disso, em faixas como as já mencionadas “Mozão”e “Só pra te fazer lembrar” e outras como “Interrogações”, “Passarinho”, “Coisa e Tal” e “Destino”, que dá título ao DVD.

O disco explora bastante essas duas vertentes do pop, deixando o aspecto mais sertanejo e o mais picante, que já foi a marca do Lucas Lucco, um pouco de lado, O primeiro está mais evidente neste DVD em faixas como “Copos e Garrafas” e “Saudade Idiota”, duas músicas que mereciam, convenhamos, uma atenção maior na hora de escolher a de trabalho. O lado mais picante é visto em músicas como “Calma Amor”, “Muié” e “Foi Daquele Jeito”, com Fernando & Sorocaba. Mesmo assim, parece pouco se levarmos em conta que esta era uma das características mais marcantes da carreira do Lucas Lucco.

É provável que a intenção de transformá-lo em fenômeno de mídia possa ter sido o principal motivo para que esse aspecto de sua musicalidade fosse sendo aos poucos deixado de lado. Acabou funcionando. Mas o recente lançamento de “Vai, vendo”, que representa o retorno do Lucas Lucco a essa praia, parece mostrar que ele estava sentindo a necessidade de explorar de novo essa vertente. Infelizmente, o timing cada vez mais curto do mercado da música acabou fazendo com que boas músicas como as mencionadas acima (“Copos e Garrafas”, “Saudade Idiota”, “Calma Amor” e outras) deixassem de ser trabalhadas.

O DVD presta uma bela homenagem à cidade de Patrocínio e a estrutura criada pela diretora Joana Mazzuchelli faz jus à importância cada vez maior daquela região para o gênero sertanejo. Dali e de Patos de Minas, onde o Lucas estudou, saíram artistas como Lucas Lucco, Gusttavo Lima, e diversos outros.

Num dos momentos mais marcantes do projeto, que agora que ganha um significado ainda maior, a fã Karla Larisse participa da música “Mozão”, em cena que remete ao roteiro do clipe da música “Mozão”. Ela sofria de câncer e acabou falecendo essa semana.

Já que a imagem do Lucas Lucco está devidamente consolidada na mídia, é possível que a partir de agora ele retome um pouco mais do seu lado caliente, como a própria “Vai vendo” dá a entender. Mesmo assim, ele não pode deixar de lado o romantismo que se tornou parte importante de sua identidade. Tanto que é um dos aspectos mais positivos deste DVD. O lançamento de “Vai vendo” parece mostrar também que este disco não vai ser explorado em todo o seu potencial. O que é uma pena, afinal tem muita coisa ali com totais condições de ser bem trabalhada. Quem sabe ainda dê tempo.

Nota: 8,5