REVIEW: Pedro Paulo & Alex – Turnê Fãs

REVIEW: Pedro Paulo & Alex – Turnê Fãs

Pedro Paulo & Alex simbolizam uma vertente da música sertaneja que vive entre a cruz e a espada. De um lado, críticas e ataques. Do outro, agenda lotada e hegemonia junto ao público das baladas e nos porta-malas de carros. No fim das contas, os artistas dessa linha realizam uma importante movimentação de receita dentro do circuito sertanejo.

É um fato incontestável que a música sertaneja sobrevive hoje em grande parte devido a artistas que se preocupam apenas em divertir o público, com um critério sobre as letras que prioriza o potencial de diversão que elas podem proporcionar antes mesmo do lado poético, o que enfurece os conservadores. Acontece que se trata de um movimento absolutamente necessário. Tudo se explica dentro das necessidades comerciais do mercado. As pessoas precisam ir a shows para se divertir. E o contratante precisa lucrar. Apenas uma pequena, minúscula parcela do público vai para assistir ao show. A grande maioria do público vai à balada, à feira agropecuária, ao festival de música sertaneja com intuitos muito bem definidos: beber, curtir e pegar alguém. E se o artista proporciona isso, melhor para o contratante.

PPA é uma das duplas que melhor defendem essa bandeira da diversão hoje em dia. Totalmente desencanados com a pressão que sofrem por parte dos conservadores, eles trabalharam desde sempre com a expressão corporal através da dança no palco e com músicas voltadas ao divertimento. Como o resultado tem sido sempre positivo, eles continuam seguindo a mesma fórmula. O novo DVD é exatamente isso: uma repetição da fórmula defendida pela dupla desde o começo da sua carreira. Afinal, pra quê mexer em time que está ganhando, né?

Ainda em parceria com o produtor Jimmy Oliveira, Pedro Paulo & Alex mantiveram o mesmo estilo defendido no DVD de Umuarama, com a diferença de que, desta vez, o repertório é completamente inédito. Mas os principais elementos ainda são a expressão corporal e os temas picantes. A qualidade técnica da produção também parece ter melhorado do último trabalho para este. Sem falar nos arranjos, que neste disco parecem ainda mais ousados.

A já longeva parceria com o Jimmy dá à dupla uma identidade bastante própria. Neste disco, o melhor exemplo disso é a música de abertura, “Meu corpo dá sinal”, com uma influência de Dubstep que rendeu uma pegada bem inusitada, com timbres de teclado muito bem escolhidos. Aliás, o protagonismo dos timbres eletrônicos sobre os arranjos de sanfona constitui um dos grandes diferenciais da identidade musical da dupla. Sempre numa pegada pra cima, claro. A única num estilo mais tradicional do disco é “Eu voltei”, que foge do padrão da dupla ao levá-los para uma atmosfera de balada country romântica.

Num dos momentos mais ousados do disco, a dupla desafia os seus críticos mais conservadores cantando uma música cujo refrão se limita a repetir incessantemente a palavra “Derunde” logo após os versos “Não tem nada a ver mas você vai gostar, não vai entender mas sempre vai lembrar, não vai esquecer quando escutar e mesmo não querendo você vai cantar”. Por mais que a música seja a respeito do refrão inusitado, é altamente simbólica com relação à carreira da dupla. Ora, dependendo da forma como se olha, estes versos citados são talvez a melhor explicação para o sucesso dos dois.

Pedro Paulo & Alex absorvem as críticas à sua identidade musical de forma bastante madura, por sinal. Ao invés de cederem e diminuírem o tom na ousadia, a dupla parece fortalecer cada vez mais esse lado, sempre com o pensamento de que “se estão falando mal, é porque está dando certo”. Ora, enquanto o público continuar abraçando a causa, qualquer crítica ao estilo da dupla vai continuar sendo vazia e sem razão de ser.

E ainda que o Paraná continue sendo o principal domínio da dupla, o crescimento em outras regiões é notório. O próprio DVD, gravado no interior de São Paulo, é prova disso. Pedro Paulo & Alex abriram inclusive filial em São Paulo, capital, já se preparando para o crescimento cada vez mais forte em nível nacional, que já vinha acontecendo desde antes deste projeto. E isso de forma praticamente independente, ainda com enorme apelo na Internet e sempre com escritório próprio, sem que fosse necessário fazer parceria com algum outro escritório consolidado nacionalmente, o que também já mostra uma mudança de realidade na música sertaneja do ano passado pra cá (vários escritórios menores experimentaram grande crescimento nos últimos tempos). O novo DVD ajuda a pavimentar o caminho desse crescimento. E continuar acreditando na própria identidade, por mais ousada que seja, é ainda o maior trunfo dos dois.