REVIEW: Trio Alto Astral – Ao Vivo

Antes de começarmos, algumas considerações acerca do último review. A crítica, como mostrei ontem, parece não ter concordado muito com o meu review. Por falar nisso, o Fabinho também já tinha postado lá no Território Sertanejo um review sobre o filme, logo que ele foi lançado. Cliquem AQUI para ler.
Vamulá então!!!


O Voninho foi um dos maiores sanfoneiros da música sertaneja. Fez história com todos os artistas que acompanhou, como “Os Filhos de Goiás”, “Irmãs Freitas”, “Carlito & Baduy” e muitos outros. Alguns de seus arranjos são clássicos, como o “Dois pra lá, dois pra cá”, que com certeza todos os que já foram a um baile na roça tiveram o prazer de ouvir. Foi o primeiro sanfoneiro a ganhar um disco de ouro com um trabalho totalmente instrumental. Infelizmente, Voninho faleceu no ano passado, antes que esse DVD fosse lançado, o que torna esse trabalho definitivamente histórico.

Sobre o Trio Alto Astral, algumas curiosidades. O grupo foi fundado em 1997 pelo Voninho. Nos vocais, a primeira formação contava com Creone e Barrerito, que na época não faziam parte do Trio Parada Dura. No ano seguinte, o Barrerito faleceu, e o Creone se afastou do grupo. Assim como no Trio Parada Dura, que é do Mangabinha, o nome “Trio Alto Astral” continuou com o Voninho. Algum tempo depois, ele convidou a dupla Rio Preto & Ribeirão para integrar o trio e auxiliar na mudança de roupagem e estilo.

Desde então, o grupo tem sido um dos principais no segmento “bailão” da música sertaneja. Entre os primeiros sucessos, destacam-se “O Bailão tá Legal”, “Bão demais da conta”, “Pé de Pano”, “Toca Aquela” e “Ninguém Merece”, grande parte delas de autoria do Jairo Góes. Mas sem dúvida o maior sucesso do grupo foi a música “Saudade Pica-pau”, de autoria do Chico Amado. O interessante da carreira do grupo é que eles fazem tanto mega-shows quanto bailes mais humildes, em currutelas inclusive. Ou seja, aparentemente eles não se prendem a estrelismos e similares.

Seria fácil se ligar a estrelismos fazendo parte de um grupo com tamanho prestígio no segmento. O Voninho sempre foi um dos sanfoneiros mais admirados da história e seu filho, Marcelo, produtor do grupo desde sua fundação, é um dos acordeonistas mais requisitados em gravações de alto nível. Foi ele quem gravou, por exemplo, o acordeon nos DVDs de Zé Henrique & Gabriel, Mattos & Matheus, Lelles & Leonardo. Ele chegou a trabalhar inclusive com Chitãozinho & Xororó há alguns anos. Fora o fato de ele ser, sem dúvida, um grande produtor e arranjador. Hoje, se dedica com mais afinco à dupla que tem com a irmã, Máida.

É nesse prestígio que se sustenta o DVD ao vivo do grupo. O primeiro oficial. Um DVD Ao Vivo já tinha sido lançado há alguns anos, mas apenas em caráter promocional. O novo disco foi gravado no ano de 2007, em duas cidades: Ituiutaba e Goiânia. Ituiutaba é praticamente a casa do Trio Alto Astral. Aliás, é um reduto importantíssimo da música sertaneja. A quantidade de gente no show em Ituiutaba demonstra o carinho que o público da cidade tem com eles. A parte gravada em Goiânia foi apenas um complemento, talvez pra dar um pouco mais de credibilidade ao disco.

Todas as participações, aliás, foram gravadas durante o show em Goiânia. Gino & Geno, Chico Rey & Paraná, Teodoro e Matogrosso & Mathias. Todas duplas da velha guarda, o que demonstra o respeito adquirido pelo Voninho no decorrer da carreira.

Sobre a produção do DVD, nada muito fora do comum. Apenas uma repetição dos arranjos originais das canções. Com relação à captação do áudio, ficou a impressão de que muita coisa foi refeita durante a mixagem. Principalmente no trecho gravado em Ituiutaba, que ficou meio artificial. Mas no trecho de Goiânia o áudio ficou mais preciso, talvez pela participação de músicos mais experientes, como o violonista Bino Alves e o Marcelo no acordeon, tocando junto com o pai durante uma das canções mais marcantes do disco, um duelo de sanfonas.

Mas a parte mais importante desse disco, sem dúvida, é a homenagem ao Voninho nos extras. Vários artistas gravaram depoimentos, contaram histórias sobre ele e demonstraram muito bem a importância dele para o segmento. No entanto, os trechos em que o Marcelo fala sobre o pai são os mais emocionantes. Um belo relato do amor e admiração de um filho pelo seu pai. Filho esse que herdou toda a herança musical do pai e já está fazendo por merecer, tanto como arranjador como produtor e instrumentista.

O DVD é, no fim das contas, humilde como a banda sempre foi. Mas nem por isso desagradável. Pra quem gosta da banda, vale a pena. É claro que ninguém previa a morte do Voninho. Uma homenagem mais requintada, acústica, talvez seja uma boa idéia para o próximo trabalho da banda. Enfim, o disco vale como registro histórico.

Nota: 7,5