REVIEW – Victor & Leo – Viva por mim

REVIEW – Victor & Leo – Viva por mim

Recentemente postei aqui no blog uma entrevista bem bacana com o Leo Chaves. A entrevista acabou se tornando praticamente um grande review deste novo disco da dupla Victor & Leo. Então não se surpreenda se você ler no texto abaixo informações que já haviam sido dadas durante a entrevista e detalhes que já foram abordados por lá.

Já nota-se de um ano pra cá uma mudança gradativa no comportamento e aparentemente na personalidade do Leo. Assunto esse já abordado em outros posts aqui do Blognejo e também durante a entrevista com o próprio. O que parecia ser uma mudança apenas no jeito de ser acabou gerando ainda mais expectativa quando foi anunciado que o Leo, “repaginado”, seria o principal responsável pela produção do novo disco. Bem, até hoje, mesmo com o Leo ressaltando que sempre tomou todas as decisões junto com o irmão Victor sobre arranjos e outros detalhes da produção dos discos, o nome do Victor Chaves sempre esteve mais em evidência nessa parte. Até porque o violão dele sempre foi a principal marca da dupla até hoje nos arranjos. Até então a dupla nunca tinha saído dessa linha. Seria, de fato, a primeira vez que o som da dupla poderia de fato sofrer alguma grande modificação desde que eles despontaram para o Brasil, há cerca de 6 ou 7 anos.

De fato, o disco “Viva por mim” traz mudanças significativas na identidade musical da dupla. O violão do Victor já não é mais o personagem principal. As letras das músicas já não são mais apenas as do Victor. Além de se dedicar à produção, o Leo também é o responsável, junto com parceiros, pela composição de grande parte das músicas do disco. A presença como co-produtor do Beto Rosa, o atual guitarrista da dupla, cujo trabalho acompanho há bastante tempo, trouxe também aquela segurança que talvez faltasse ao Leo para assumir um trampo desses totalmente sozinho, mesmo sendo ele o principal responsável pelos arranjos do disco.

Vamos a uma análise mais minuciosa das mudanças. A primeira das mais significativas que se percebe, como eu disse, é a ausência do violão do Victor na grande maioria dos arranjos. Ao invés dele, o disco traz nos arranjos principalmente a guitarra e o piano. A dupla já havia tentado inserir a guitarra em sua sonoridade, principalmente no disco “Ao Vivo em Floripa”, mas essa inserção não havia sido ainda tão direta e evidente. E desta vez, também, a dupla conta com um guitarrista da mais alta qualidade, que é o Beto Rosa. Ao invés de manter basicamente o mesmo timbre de guitarra em todas as músicas, ele deu a cada música uma identidade diferente através de uma escolha de muito bom gosto dos timbres.

As músicas que mais se destacam com relação ao timbre da guitarra são “Nem sei”, com uma roupagem que remete aos clássicos do rock melódico de bandas como Whitesnake, Skid Row e outras, e “Conheço pelo Cheiro”, uma das melhores do disco, que traz uma guitarra com timbre latino, bem condizente com a letra da música.

Outra mudança significativa se deu na mudança da região de tons em que o Leo costumava cantar. Se antes a gente havia se acostumado a ouvir o Leo cantando em tons não muito altos, desta vez ele abusa da própria voz. E como se não bastasse já cantar mais alto do que poderíamos esperar normalmente, algumas músicas ainda ganham subidas de tom no refrão final, o que faz com que ele cante ainda mais alto em alguns trechos.

A música “Eu vim pra te buscar”, que traz a participação da dupla Bruno & Marrone, é uma das que deixa essa mudança na região de tons do Leo mais evidente. Ele próprio ressaltou em entrevista que já costumava cantar em regiões mais altas no começo da carreira, mas que abaixou os tons quando a quantidade de shows começou a ficar mais frequente, a fim de evitar um desgaste da voz. Como hoje em dia por opção da própria dupla a quantidade de shows tem sido menor, ele pôde voltar a trabalhar nas mesmas regiões de outrora.

Mais uma mudança significativa se deu na abertura, enfim, de espaço para outros compositores, ainda que de forma não muito escancarada. A dupla já havia trabalhado há algum tempo atrás uma música que não trazia nem o Victor e nem o Leo entre os compositores. “Lágrimas” era uma composição do Sérgio Porto com o Marcelo, da dupla João Lucas & Marcelo, que emplacaram neste novo disco mais uma música, também a de trabalho: “Na linha do tempo”.

Os outros compositores que conseguiram “entrar” no disco da dupla, entretanto, o fizeram como parceiros do Leo em algumas músicas. Os felizardos foram o Juliano Tchula e o Gabriel Agra, que assinam com o Leo algumas das principais músicas do disco. O Beto Rosa também assina algumas canções. O Jander, sanfoneiro da dupla, também contribuiu na composição de “Viva por mim”, música título do disco.

As melhores músicas do disco em termos de letra, entretanto, continuam sendo as do Victor. Ele assina 6 músicas do disco, duas delas em parceria com o Leo. “Tudo bem” tem a letra mais bonita do disco. “Nem sei” também é incrível. E “Conheço pelo cheiro”, a mais inusitada, poderia muito bem ser uma das próximas músicas de trabalho.

O disco anterior já havia trazido uma série de participações especiais de peso, o que faz com que as participações deste novo disco não sejam assim tão inesperadas. Bruno & Marrone foram uma das duplas que faltou no DVD anterior da dupla e gravaram neste CD uma participação em uma das melhores músicas do disco, “Eu vim pra te buscar”. Almir Sater participa da música mais “victoreleozística” do CD. Talvez a única que tenha trazido os já clássicos elementos da dupla, como o violão, o Victor cantando um trecho em primeira voz e o tema bucólico, que não apareceu neste disco em nenhuma outra música, diga-se de passagem.

A participação de Jorge & Mateus, entretanto, realmente surpreendeu muita gente. Talvez as duas principais duplas da última década, cantando juntas e eliminando de vez os boatos acerca de uma possível rixa entre elas, alimentada principalmente pelos fãs. O único problema é que esse dueto acabou sendo uma frustração para quem esperava algo bombástico e inesquecível. A música escolhida, “Guerreiro”, que traz o esporte como tema, acabou dando a impressão que essa música foi encomendada, já que 2014 é ano de copa. Ficou a expectativa por uma volta, talvez num disco do Jorge & Mateus, que traga novamente este dueto, mas numa música que realmente valorize a importância deste encontro para a história recente da música sertaneja.

Tirando apenas a frustração da música “Guerreiro”, o disco é muito bom. De verdade. A expectativa em torno da nova postura do Leo, assumindo de maneira mais intensa a liderança da dupla, pelo menos neste disco, teve um resultado amplamente positivo. Bom para ele, que mostrou que, mesmo sem o violão a tiracolo, tem tanta competência quanto o irmão. E bom para o Victor, que enfim pôde eliminar um pouco da pressão que sempre havia sobre suas costas a cada lançamento. Só por finalmente trazer a dupla de uma forma diferente depois de tanto tempo, e com tanta qualidade quanto nos discos anteriores, este CD já merece o meu total respeito.

Nota: 9,0

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