SÉRGIO REIS – CORAÇÃO ESTRADEIRO

Com atraso de um dia, mas sem falhar, vamos à resenha da semana.

Sérgio Reis é um dos poucos artistas brasileiros que se dão ao luxo de ter dois tipos de público, o povão e a elite. Ele consegue agradar a esses dois tipos de público, com uma grande diferença: ele precisa lançar um trabalho diferente pra cada público. Se notarmos a discografia do Serjão, veremos que seus discos sempre são alternados entre um mais erudito, por assim dizer, e um mais voltado para o povão.

O novo disco, “Coração Estradeiro”, é para o povão, definitivamente. Neste novo trabalho, Sérgio Reis não mostrou muita preocupação no que o seu público elitizado pensaria. Quando ele quer, aliás, ele produz pérolas como o DVD “Sérgio Reis e Filhos”, que foi claramente direcionado para esse público mais abastado, ou de gosto mais “apurado”. Se bem que pra mim, não existe essa coisa de bom ou mau gosto. Gosto não se qualifica, afinal cada um tem um.

O CD é carregado de músicas tipo “bailão”, com letras de duplo sentido e tudo. Pelo menos cinco faixas do disco seguem essa linha. As outras canções, aliás, não são o que se pode chamar de pérolas musicais. Letras e arranjos um tanto preguiçosos para um artista com interpretação tão peculiar e maravilhosa.

Sérgio Reis traz algumas participações especiais históricas. Roberta Miranda (que eu adoro) canta junto com o Serjão a canção “Terra Genuína”, uma das melhores do CD. Dominguinhos canta a canção “Hoje ninguém fica só”. Mas sem dúvida a melhor das participações trazidas no CD foi a da dupla Durval & Davi. Quem entende de música sertaneja sabe o quanto eles são incríveis. A música que eles interpretam é a clássica “Herói sem Medalha”, uma das mais maravilhosas modas de viola já compostas em toda a história.

Duas faixas especiais também estão presentes nesse trabalho. Uma delas é uma regravação de “Comitiva Esperança”, de carona com o sucesso da novela “Pantanal”. A outra é a canção “Quem eu sou?”, tema da próxima novela do SBT, “Revelação”.

Enfim, esse CD é regular apenas. Quem conhece e gosta do trabalho de Sérgio Reis sabe que, quando ele quer, lança preciosidades como o DVD “Sérgio Reis e Filhos”, que eu já mencionei. O diferencial do Serjão é o fato de ele não cantar a mesma coisa que a maioria dos cantores sertanejos. Só que desta vez ele se limitou a fazer tudo o que os outros fazem. Não que o disco seja ruim, muito pelo contrário. Mas é que, vindo de Sérgio Reis, é comum esperar algo de excelente a perfeito, passando por maravilhoso.

Nota: 7,0