Simone & Simaria gravam DVD em Goiânia e retribuem carinho do público sertanejo

Simone & Simaria gravam DVD em Goiânia e retribuem carinho do público sertanejo

“Nós gostamos muito de música sertaneja e estamos muito felizes com a forma como essa galera nos acolheu”. A primeira frase da Simone durante a gravação do mais recente DVD da sua dupla com a irmã Simaria já tratou de responder aquela que vinha sendo minha principal dúvida desde que as “Coleguinhas” começaram a circular em eventos sertanejos e assinaram com a Audiomix: afinal, elas são uma dupla sertaneja?

Simone & Simaria são um dos principais símbolos de um momento da música que vem se desenhando há mais de 10 anos e chegou a clímax no ano passado. Hoje em dia, é seguro dizer que a o que faz sucesso na música sertaneja nas regiões mais ao sul chega ao nordeste ao mesmo tempo que nas outras regiões, o que até 2 ou 3 anos atrás ainda era inconcebível. E vice-versa. Os sucessos do nordeste também estão começando a chegar aos estados mais ao sul com muito mais rapidez, quando não de forma simultânea.

Pablo, Wesley Safadão, Aviões do Forró e, agora, Simone & Simaria, são exemplos de artistas de enorme sucesso no nordeste que conseguiram abrir espaço nos estados mais ao sul. E, talvez por falta da acolhida de outros veículos e outros segmentos, assim como pela enorme quantidade de características em comum, acabaram sendo abraçados pelo público sertanejo, pelas rádios sertanejas e pelos grandes eventos sertanejos. Tudo isso causou nos últimos tempos uma enorme confusão quanto ao estilo que estes artistas defendem. Algumas pessoas, por exemplo, chegam ao cúmulo de considerar Wesley Safadão um artista sertanejo ao invés de considerá-lo um dos maiores representantes do estilo que domina a região nordeste e que agora ganha o Brasil: o forró.

Simone & Simaria têm como essência o forró, apesar do pai ter sido um grande fã de música sertaneja e elas terem morado em Mato Grosso e São Paulo por um tempo antes de ingressarem de vez na música. Trabalharam por um bom tempo com Frank Aguiar e depois foram as vocalistas da banda Forró do Muído, para a partir daí partirem para a carreira como dupla. Já como dupla, ao invés de defenderem apenas uma vertente (o forró), elas começaram a mesclar ritmos e a abraçar muito mais o romantismo, bem naquela linha popular que os nordestinos adoram, tanto que o seu maior sucesso acabou sendo uma canção extremamente romântica e que, por acaso, tinha tudo a ver com o momento da música sertaneja (que, aliás, apenas incorporou o que muitos artistas nordestinos já faziam há anos): a bachata “Meu Violão e o Nosso Cachorro”. E o álbum que tinha essa como a principal música, “Bar das Coleguinhas”, também acabou sendo o que mais se aproximava da sonoridade da música sertaneja tradicional.

Aí a confusão ficou ainda maior. Pensa só: uma dupla, formada por irmãs, e com canções de sucesso na linha do que vem sendo praticado na música sertaneja nos últimos dois anos. Ficou realmente fácil apontá-las de cara como uma dupla sertaneja. Mas – corrijam-me se minha interpretação está incorreta – a frase da Simone que eu destaquei no começo deste texto mostra uma grande consciência do segmento que elas defendem ou pelo menos das diferenças entre o que elas fazem e o que é de fato a música sertaneja. Uma das principais características da musicalidade delas, aliás, é o elemento que talvez mais deixe essa diferença bem clara. Elas não cantam em dueto. Ambas se revezam como vocalistas e apenas vez ou outra fazem uma terça ou, raramente, uma segunda voz uma para a outra. Ou seja, elas comportam-se, musicalmente falando, como duas vocalistas de uma banda que, por acaso, leva o nome das duas.

E isso é ruim para os parâmetros da música sertaneja? Nunca. Jamais. Muito pelo contrário. Isso só é uma das inúmeras demonstrações desse momento que eu já mencionei, onde a música sertaneja e o nordeste, outrora afastados, se mostram cada vez mais próximos. Se elas demonstram em sua sonoridade tantas semelhanças com a música sertaneja (muito mais semelhanças que diferenças, diga-se de passagem) e se o nordeste já abraçou por tanto tempo inúmeros artistas sertanejos sem terem de volta o mesmo reconhecimento do público aqui de baixo, nada mais justo que acolhê-las e aos grandes artistas de lá de braços abertos, como o público sertanejo enfim vem fazendo.

O novo DVD da dupla vem inclusive pra consolidar esse momento. A começar pela cidade escolhida para a gravação: Goiânia. Mas se houve quem pensasse que elas vestiriam de vez a “carapuça” da música sertaneja, elas provaram que não. Apesar de contarem com Jenner Melo na produção de algumas faixas (o nome do momento no gênero sertanejo) e com diversas músicas de compositores sertanejos no repertório, a linha delas permaneceu fiel ao que elas já praticavam. Com um pouco mais de romantismo, é verdade, mas com a essência ali, intacta. Principalmente nos temas das músicas, que continuam bem intensos, sempre com as relações amorosas no meio da história. Mesmo assim, o repertório ainda trouxe diversos momentos mais ousados, com canções numa pegada mais moderninha.

As participações de Bruno & Marrone e Jorge & Mateus serviram também como carimbo no passaporte para a entrada definitiva de Simone & Simaria no circuito sertanejo, assim como ocorreu com Wesley Safadão no ano passado (que participou de tudo o que era DVD ou CD sertanejo) e que vem reverberando ainda esse ano, sem dar sinais de que vai parar. Há quem diga, inclusive, que Simone & Simaria podem se tornar a versão feminina do Wesley Safadão no que diz respeito à força que elas vêm adquirindo e do espaço que podem conquistar ainda mais junto ao público dos estados fora das regiões Norte & Nordeste. Seja defendendo o forró, o romântico  ou, por que não, o sertanejo.

Abaixo, fotos da gravação.