TOP FIVE – Cinco CD’s Independentes de 2014 que precisam ser ouvidos

TOP FIVE – Cinco CD’s Independentes de 2014 que precisam ser ouvidos

Hoje foi postado o último review individual do ano. Mas até quarta-feira ainda tenho um bocado de trabalho, já que ainda vai rolar por aqui o Mega Review de CD’s, o Mega Review de DVD’s e o nosso texto com os melhores discos do ano, além de uma entrevista exclusiva com a dupla de maior destaque em 2014, Henrique & Juliano.

Mas diferentemente dos outros anos, nos quais deixei de falar de trabalhos bem bacanas apenas porque não haviam sido lançados por grandes gravadoras ou porque não tiveram tanta repercussão, este ano resolvi postar uma lista pra fazer jus a estes discos. São trabalhos que foram lançados de forma independente, pelo menos por enquanto, mas que merecem uma tonelada de elogios, por conta da qualidade ou pelo que representaram desde seu lançamento. Não são reviews. É apenas uma lista de discos que merecem a atenção do público

Abaixo, a lista com os cinco trabalhos independentes mais interessantes de 2014, na minha opinião. Como toda lista de “melhores”, trata-se da minha opinião em caráter estritamente subjetivo. Não se trata de uma verdade absoluta, ou seja, se você discorda não precisa soltar os cachorros, basta expressar a sua opinião no campo de comentários, de preferência deixando escrita também a sua lista ideal.

FIDUMA & JECA – ANJO CHAPADEX – AO VIVO PRA QUEM VEIO

O CD mais irreverente do ano, que apresenta a dupla Fiduma & Jeca de uma forma hilária, mas ainda assim com um humor saudável e nada apelativo. Apesar disso, ainda gerou uma certa controvérsia por brincar, na primeira música de trabalho, com um anjo beberrão e com Deus, hehe. O tipo de coisa que deixa os conservadores de cabelo em pé, pra variar, mas que no fundo não é nada além de uma mera brincadeira. O projeto, produzido pelo Zé Renato Mioto, produtor dos discos da dupla João Carreiro & Capataz e atual empresário da dupla Fiduma & Jeca, traz faixas incríveis como “Que Susto”, “Zoodstock”, “Grama Verde”, “Defeitos Perfeitos” e, claro, “Anjo Chapadex”. A dupla tem promovido a divulgação do disco através de videoclipes. Os dois lançados por eles em 2014 estão sem dúvida entre os melhores do ano e a tendência é que isso continue. O resultado de toda essa forma irreverente de trabalhar surpreendeu muita gente, com a dupla conquistando, com pouquíssimo investimento, um espaço que muitos artistas que investem milhões nem sempre conseguem conquistar. Sem dúvida uma das grandes surpresas do ano.

PATRÍCIA & ADRIANA – SEU ENREDO

Depois de 6 anos sem lançar nenhum disco e enfim celebrando a recuperação da titularidade do próprio nome, no que representou o fim de um dos capítulos mais obscuros do começo do movimento universitário em Campo Grande, uma das ou, para muitos, a melhor dupla sertaneja feminina do país finalmente lançou um novo disco, que faz total jus ao talento das duas, em músicas recheadas de interpretações incríveis, como “Seu enredo”, “Como eu te amei”, “Fim de semana”, “Quase te chamei de amor”, entre outras tão incríveis quanto. Alguns profissionais campograndenses do segmento sertanejo reconhecidos nacionalmente uniram-se para que esse projeto enfim pudesse acontecer, presenteando o público que conhece e é fã do trabalho das duas com um disco de altíssimo nível. O lançamento do disco e a recuperação do nome deu um novo fôlego à dupla, que tem utilizado plataformas como o Youtube para promover essa nova etapa do trabalho de uma forma bem interessante.

FRED LIEL – SERTANEJEIRO

O primeiro disco lançado pelo Fred Liel após sua saída do projeto Fred & Gustavo. Com certeza seu trabalho mais pessoal até hoje. Além de dar a sua cara à produção do disco e gravar apenas canções próprias ou compostas com parceiros, o disco mostra influências incríveis da música latino-americana em faixas como “O Defensor” (uma bachata BACHATA mesmo, com todas as características das melhores bachatas do Prince Royce ou do Grupo Aventura) e “Camisa Xadrez”, ultra romântica. O CD evidencia também, pra variar, o absurdo talento do Fred Liel como intérprete, em músicas sensacionais como “O mais lindo dos amores” e “Incomparável”, também absurdamente romântica. O único porém desse disco é a quantidade de faixas: apenas 8. Muito pouco pra uma voz e um talento desse tamanho. Merecia no mínimo umas 25 faixas.

PAULO VITOR & FILIPE – DO JEITO QUE A GENTE FAZ

A primeira grande empreitada de uma dupla que, a meu ver, vai ser em alguns anos uma das principais do país. Até então, os trabalhos da dupla Paulo Vitor & Filipe tinham um alcance mais regional. Este é o primeiro lançado após a parceria com a Nuxx, do Wendell Vieira, e que serve como ponto de partida de uma parceria com a Audiomix, que aos poucos vem se estreitando. Entre os elementos que se destacam no disco, além do repertório sensacional, está a qualidade vocal do Filipe, que sem dúvida é um dos maiores intérpretes da música sertaneja na atualidade. Mesmo com músicas agitadas muito boas, é nas românticas e nos modões que o disco realmente se sobressai, como em “Etc e tal”, “A partir de agora” e principalmente em “Cara de Pau”, a minha preferida. O disco também chama a atenção do mercado para o produtor Neto Schaefer, que a maioria dos profissionais do meio sertanejo conhecia até então como o cara que grava os violões do Stúdio VIP. Neste disco, entretanto, ele consolida sua posição como produtor revelação e entrega arranjos geniais, como em “Do jeito que a gente faz”, um arrocha totalmente estilizado, e nas músicas mencionadas acima (os arranjos de “Etc e tal” e “A partir de agora” são fantásticos), bem como em outras faixas incríveis deste disco incrível desta dupla incrível.

FELIPE DURAN / FELIPE DURAN – ACÚSTICO

É difícil achar outra palavra para este projeto que não seja “GENIAL”. Na empreitada mais experimental da FS até hoje, as músicas mais psicodélicas do Bruno Caliman, o compositor preferido do Sorocaba, encontraram o intérprete ideal para elas: o William Borjazz, que passou a se chamar Felipe Duran por conta de um probleminha da época em que ele ainda era calouro do Raul Gil. E para deixar a coisa mais experimental ainda, os arranjos ganharam contornos totalmente inusitados, que tornaram o Felipe Duran o assunto principal dos debates da série “Isso não é sertanejo” em 2014. Na verdade, é um trabalho totalmente sertanejo, afinal a sonoridade do cara mistura folk, country, rock rural e todo tipo de influência bucólica para músicas de temática urbana, ou seja, tudo o que serve de influência para o sertanejo dos últimos 30 anos. Acontece que o Felipe Duran é, ouso dizer, o artista sertanejo mais “Raul Seixas” dos últimos anos. Até a voz remete ao Maluco Beleza. E é provavelmente por isso que é tão difícil aceitá-lo como membro do segmento. É muito inusitado. Numa das músicas mais piradas do disco, ele conversa com um ET que chegou ao nosso mundo pedindo a ele que trouxesse a coisa mais bonita possível e lhe mostrasse. E ele trouxe a amada. E entre conversas com anjos ou até com o próprio Deus, as letras do disco vão de encontro aos geniais arranjos criados pelo próprio Felipe para a produção assinada pelo Sorocaba. E como se não bastasse a versão tradicional, o projeto ganhou simultaneamente uma versão acústica, com algumas faixas a mais. Talvez pelo caráter experimental, o projeto ainda não foi para a estrada. Pelo menos não no formato que estamos acostumados a ver. É um desafio, aliás, colocar um projeto desse tipo nos palcos do Brasil. Desafio esse que vai ser um prazer acompanhar em 2015. Da primeira fila, se possível.

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