TOP FIVE – Os melhores discos de 2011

TOP FIVE – Os melhores discos de 2011

Já é uma tradição aqui no Blognejo há pelo menos 4 anos a postagem na última semana de cada ano de uma lista com os 5 melhores discos desse período. Sempre, é claro, baseado nas notas dadas nos reviews dos discos. Muita gente reclama das notas e bla bla bla, mas não consigo ver outra forma de elencar os discos a partir do melhor. Algumas notas esse ano foram motivo de grande discórdia, ou por serem baixas na visão de alguns leitores ou por serem altas. Geralmente, fãs-clubes de unem para reclamar de notas que consideram baixas e fãs mais conservadores de música sertaneja se unem para atacar uma nota alta dada a algum artista da nova geração (SEMPRE) sem sequer terem ouvido o disco.

Artistas mais tradicionais devem, na visão distorcida de muitos que comentam, ser colocados no mais alto pedestal e não podem ser criticados de forma nenhum, graças ao trabalho que realizaram durante toda a carreira. E geralmente quem sofre com isso são artistas menores, com comentários do tipo “é, pra Fulano & Beltrano, que não são merda nenhuma ainda, você deu nota boa e bla bla bla“, como se os caras, por serem artistas novos, não tivessem condições de fazer um trabalho de fato melhor que o dos artistas veteranos. Sei lá, só acho que está na hora de abrirmos um pouco mais os olhos e ouvidos. Tem muita gente boa aí precisando só de um pouco mais de atenção e de um olhar menos preconceituoso e conservador.

Feitas as devidas considerações e baseado nas notas distribuídas ao longo do ano, vamos à lista do Blognejo com os melhores discos do ano. Lembrando que foi um ano acima da média pelo menos para os artistas que já gozam de certo reconhecimento nacional e que, por conta disso, tiveram os discos analisados aqui. Tanto que este ano nenhum disco recebeu nota menor do que 8,0, o que é admirável. Nos anos anteriores, geralmente 2 ou 3 discos eram execrados nos reviews do Blognejo. Este ano nenhum disco foi execrado. Enquanto isso, a maioria dos artistas que ainda buscam um lugar ao sol continuam disputando o mercado a cabeçadas, se valendo de funknejos, adaptações desastradas de músicas nordestinas e canções com apelidos para o ato sexual. Uma pena.

Importante lembrar também que neste ano que passou não tivemos lançamentos de artistas importantíssimos do cenário sertanejo, como Jorge & Mateus, Zezé di Camargo & Luciano e outros. Para a lista abaixo, promovi na noite de ontem uma pequena enquete no Twitter com o intuito de “desempatar” os discos que haviam ganhado nota 10 no decorrer do ano aqui no Blognejo. Enfim, vamos à lista.

FRED & GUSTAVO – ENTÃO VALEU

Um trabalho muitíssimo bem filmado, produzido, conduzido, etc. Poucos discos nacionais têm seus repertórios extremamente bem pensados, analisados e tudo mais para cada ocasião específica. No máximo os artistas saem por aí procurando boas músicas. No caso deste disco da dupla Fred & Gustavo, o repertório foi composto e selecionado exclusivamente para este trabalho pelos próprios artistas em parceria com o Marco Aurélio. Músicas com conteúdo apuradíssimo. Canções incríveis, diga-se de passagem. A produção do Ivan Miyazato e do Eduardo Pepato salta aos ouvidos no que diz respeito à qualidade de arranjos. Um jeito diferente e incrível de se fazer um disco, mas que ainda não contou com a adesão de muitos artistas. Tomara que sirva de exemplo.

PAULA FERNANDES – AO VIVO

O disco sertanejo mais vendido dos últimos anos (mais de um milhão e meio de unidades entre CD e DVD). O trabalho que alçou a Paula Fernandes ao status de estrela e maior nome da música sertaneja no ano de 2011. Com produção do grande Luiz Carlos Maluly, o disco traz um repertório incrível e muito condizente com a belíssima voz e interpretação da Paula Fernandes. O cenário não ficou tããããão bacana, mas a própria Paula já embeleza toda a tela com todo o seu explendor de quem hoje é considerada um símbolo sexual. Nem precisava de cenário mesmo, hehe.

CHITÃOZINHO & XORORÓ – 40 ANOS SINFÔNICO

O terceiro DVD da trilogia que comemorou os 40 anos da maior dupla sertaneja de todos os tempos foi também o mais bem feito. Grandes sucessos da dupla e da música clássica tocados ao som da Orquestra Bachiana Filarmônica do Maestro João Carlos Martins com a participação de vários grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Djavan, além de um reencontro histórico e sensacional da dupla Sandy & Junior. O DVD tam a marca da O2 filmes, do cineasta Fernando Meirelles, no vídeo, através de um documentário editado junto com as músicas, tornando este um disco talvez o mais grandioso já feito na música sertaneja. Nunca foi feito nada parecido e creio que vai demorar até que alguém ouse tentar fazer algo no mínimo parecido.

BRUNO & MARRONE – JURAS DE AMOR

O disco que trouxe Bruno  Marrone de volta a um estilo do qual não deveriam nunca ter saído. Se antes a dupla parecia desesperada ou com medo de perder espaço frente a tantos lançamentos e revelações do sertanejo chamado “universitário” e por conta disso derrapou no repertório e em regravações desastradas de grandes sucessos não só do próprio repertório como do de outros grandes artistas, no disco “Juras de Amor” testemunhamos a volta do Bruno à grandiosidade de sua interpretação, o crescimento da importância do Marrone, que arriscou alguns vocais e teve sua segunda voz mixada num volume mais alto do que de costume pelo produtor Dudu Borges, e um repertório fantástico selecionado especialmente para celebrar esse reencontro da dupla com seu estilo original, com canções absurdamente incríveis, como “Entrada Franca”.

JOÃO CARREIRO & CAPATAZ – LADO A LADO B

A dupla João Careiro & Capataz abraçou o “cargo” de representantes da tradição na música sertaneja e lançou um disco duplo com 40 músicas. No lado A, músicas de raiz tocadas com viola, percussão, violão, baixo e acordeon apenas, a maioria inéditas. No lado B, além das tradicionais músicas de escracho que a dupla têm no repertório, uma ousadia: o resgate do sertanejo romântico de outros tempos, com a participações de grandes artistas como Matogrosso & Mathias e Rionegro & Solimões. O resultado final dessa mistura garantiu um disco excepcional que caiu nas graças de 99,9% do público sertanejo, comprovando que tentar trazer um pouco da tradição sertaneja de volta à tôna é uma tática infalível. Letras excepcionais que revelam um novo gênio na música sertaneja, o João Carreiro, além de uma produção requintada assinada pelos próprios e pelo Zé Renato Mioto, que toca com a dupla, além de uma altíssima qualidade sonora. Sensacional.

Bem, é isso. Mais um ano se encerra. Para o ano que vem, tentarei repetir a promessa desse ano e ser o mais imparcial possível na análise dos trabalhos. Infelizmente, sei muito bem que vou ser acusado de todo tipo de favorecimento ou jabá toda vez que escrever algo que não agrade a fulano ou beltrano. Já me acostumei com isso. Então, que venham mais bons discos. Ruins também, para que eu tenha o que criticar também, hehehe.